“O corpo segue a mente e a mente a respiração”. Yogi Bhajan

Por Patwant Kaur

Photo: Camila Muradas

Já estive dormindo um sono profundo, o sono de não estar desperta para a consciência. Acredito que a maior descoberta da minha caminhada de autoconhecimento foi a da minha própria respiração. Até então, vivia de forma desconfortável, ansiosa, no drama existencial, com muitas dores físicas. Essa inquietação não me permitia estabelecer uma boa conexão com o meu corpo e espírito. Como foi incrível esse meu encontro com a respiração que me conecta com o presente e com o meu prana.

Acredito que muitos já ouviram falar em prana, mas poucos sabem o que significa. O prana é a força mais poderosa da existência. Ele é o elemento sutil da respiração. É o que nos dá a vida. Ele controla trinta trilhões de células e a cada setenta e duas horas ele é completamente renovado em nosso corpo.

O meu despertar para a respiração foi algo realmente profundo e junto com ele veio a percepção de como eu estava vivendo. Falando muito, me observando pouco, presa no meu próprio infortúnio e com baixa percepção da realidade. Compreendi que precisava fazer algo para alcançar uma nova perspectiva de vida. Para isto foi necessário reconhecer a minha respiração como um mestre, um guia, um sábio. Precisei ir fundo nesse aprendizado. Hoje em dia as respirações, (pranayamas) são o meu remédio.

Observo que a maioria das pessoas respira muito mal e de forma superficial. Entendi que a respiração determina os estados da mente. Ela interfere na qualidade dos pensamentos na maneira de falar e agir. O processo de absorção e eliminação do corpo também depende da respiração. Se ela é pobre todo o mecanismo se torna pobre. “Aqueles que estão sofrendo na vida, não sofrem porque não são sábios. Eles estão sofrendo por que não estão usando a sabedoria divina a sabedoria do prana”, dizia Yogi Bhajan, mestre de Kundalini Yoga.

Os bebês quando nascem, tem uma respiração lenta e profunda. Ao longo da vida os hábitos adquiridos e o ambiente externo esse ritmo é alterado. A vida em sociedade demanda de nós um alto nível de experiência e de resposta aos estímulos. O volume de informação externa e o uso da tecnologia são fatores que dificultam a auto-observação e a atenção plena para a respiração. As pessoas caem na roda viva da mente e fica complicado quebrar esse ciclo frenético e estabelecer uma conexão com ritmo natural do corpo.

O corpo humano é uma máquina magnífica. Ela nos disponibiliza diariamente a respiração que é uma solução natural para acalmar a mente. A observação da respiração é algo que pode ser praticada de forma simples durante o cotidiano. Com tempo vamos ganhando maestria sobre esse processo.

Compreendemos que as lembranças do passado ou a preocupação com o futuro não nos garantem presença. ”A vida deve ser vivida momento após momento, respiração após respiração. A vida não é garantida pelos anos ou pelo tempo e espaço. A amplitude da vida é garantida pela respiração”. (Fonte de informação do livro: Praana, Praanee, Praanayama – Yogi Bhajan).

 

 

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